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Mais um rastro de destruição e morte na história da mineração e da empresa Vale S.A.
Ontem, dia 05 de novembro de 2015, mais uma notícia chocante e terrível envolvendo a grande mineração e a empresa Vale S.A. nos assola.
Duas barragens da mineradora Samarco Mineradora S.A., joint venture da Vale S.A (50%) e da BHP Billiton Brasil Ltda (50%), e também recebedora de rejeitos de outras minas da Vale S.A na região, dentre as quais a mina de Alegria, se romperam no estado de Minas Gerais, no distrito de Bento Rodrigues, entre as cidades de Mariana e Ouro Preto.
O Distrito encontra-se completamente soterrado por lama tóxica, sendo o acesso ao local apenas possível por helicóptero. Há inúmeros desabrigados e até o momento foram contabilizados ao menos 16 mortos, 45 desaparecidos e inúmeros soterrados. A situação no local continua muito grave e há riscos de novos desmoronamentos. Inicialmente, somente o distrito de Bento Rodrigues havia sido afetado, mas a enxurrada de rejeitos segue atingindo outros distritos e municípios, tendo chegado a 60 km do local.
O rompimento de uma barragem de rejeitos – estrutura que tem a finalidade de reter os resíduos sólidos, que possuem elevado grau de toxicidade e água dos processos de beneficiamento de minério – não se dá de forma aleatória e não é uma novidade nem para o estado de Minas Gerais nem para o setor minerário. A gravidade do caso exige severa investigação sobre o ocorrido, rigorosa responsabilização dos culpados e reparação integral e indenização a todos os afetados e afetadas.

O que ocorreu foi um CRIME. Os órgãos fiscalizadores e as empresas têm total responsabilidade sobre a tragédia ocorrida. A quantidade de rejeitos prova que as empresas tinham ultrapassado, e muito, a capacidade da barragem. O laudo técnico realizado pelo Instituto Prístino, a pedido do Ministério Público durante o licenciamento do projeto, já identificava problemas, tais como: a barragem do Fundão e a pilha de estéril União da Mina de Fábrica Nova da Vale fazem limite entre si, caracterizando sobreposição de áreas de influência direta, com sinergia de impacto; a condicionante de monitoramento geotécnico e estrutural dos diques e da barragem deveria ser realizada periodicamente, com intervalo inferior a um ano, indicando risco de acidentes. Esses dois pontos já anunciavam a tragédia e comprovam a política cruel da Samarco, Vale S.A. e dos órgãos responsáveis pela licença do projeto.
A Vale S.A. é uma empresa amplamente conhecia por movimentos sociais, comunidades, sindicatos, acadêmicos, organizações não governamentais e demais segmentos sociais, por seu constante desprezo aos direitos socioambientais. O que mais esta tragédia nos evidencia é o desrespeito a questões fundamentais, como a segurança, tanto dos seus trabalhadores, quanto das comunidades próximas, frente a crescente intensidade da extração mineral e a busca desenfreada pelo lucro das grandes mineradoras.
No momento atual, em que está em jogo a aprovação de um Novo Código Mineral para o país, que permitirá o avanço ainda maior da mineração em território nacional, deve-se considerar as chances reais do crescimento em escala e números do cenário de mortes, desrespeito de direitos, apropriação ilegal de terras, contaminação de mananciais de água e tragédias como a ocorrida ontem.

Em Minas Gerais está para ser votado o Projeto de Lei nº 2.946/2015, de autoria do atual governador Fernando Pimentel (PT), que fragiliza ainda mais o licenciamento ambiental no estado. O referido projeto permitirá reduzir o tempo para a concessão do licenciamento ambiental no estado, fato que beneficiará empreendimentos considerados estratégicos pelo Governo, ampliando ainda mais a insegurança jurídica, os danos ambientais e os conflitos sociais associados a grandes projetos.
A tragédia de ontem mais uma vez nos alerta para o constante impacto socioambiental da mineração. Esse desastre pede de forma urgente um debate público sobre a mineração em grande escala no país e os mecanismos de responsabilização das empresas. A política das mineradoras para com os trabalhadores e as comunidades é a mais perversa possível. Essas empresas lucram bilhões todos os anos e investem muito pouco em segurança, nos trabalhadores e nas cidades.
Várias são as denúncias de irregularidades na construção e ampliação de barragens de rejeitos, citando-se a título de exemplo as irregularidades estruturais nas obras que envolvem a barragem da mina Casa de Pedra em Congonhas/MG, da Companhia Siderúrgica Nacional, bem como as ilegalidades no processo de outorga referente à construção da barragem de rejeitos do sistema Minas-Rio, a ser instalada entre os municipios de Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro, de responsabilidade da mineradora Anglo American.
Para nós da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A. o que ocorreu no distrito de Bento Rodrigues não é um caso isolado e sim mais uma tragédia do setor. Grandes empresas como a Vale S.A. possuem a prática de terceirizar suas operações ou criar joint-ventures escondendo seu nome e omitindo compromissos e responsabilidades. Não podemos deixar que os responsáveis pela tragédia saiam impunes.
Exigimos investigação e punição cível, ambiental e criminal das empresas Samarco, Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda, responsabilizando-se, também, seus dirigentes de forma pessoal, além de reparação integral e indenização à população de Bento Rodrigues.
Nós da Articulação Internacional enviamos toda a solidariedade à população de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Mariana e região.
Não podemos permitir nem mais uma morte!
BASTA!
Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A. – 06/11/2015
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CARO AMICO ROCCO
Caro amico Rocco,
tu non lo sai, non lo puoi neanche immaginare. Tu, abituato alle sue strade bianche della bassa, al lento ritmo dell’uomo nel susseguirsi delle stagioni, non lo puoi sapere. E allora ti scriverò una lettara così, come questa, parlado del più e del meno. Non ti racconterò degli uomini armati che salgono sugli autobus e ci obbligano tutti a scendere, non ti spiegherò che gli uomini armati sono gli stessi autisti, una dissidenza del sindacato che non ha accettato l’accordo, non ti racconterò che quegli uomini hanno bloccato due milioni e mezzo di persone, non ti farò vedere le immagini del panico alla stazione della metropolitana presa d’assalto dai passeggeri che non trovavano altro mezzo di trasporto, e non ti dirò neanche della città nel caos, mentre gli autobus per traverso bloccavano le avenidas e gli incroci principali. E non ti racconterò che, sia il sindacato che il comune, né la segreteria di pubblica sicurezza del governo, nessuno ha imposto con “voz de comando” il ritorno all’ordine, ma che le uniche parole del sindaco mentre la sua città era sotto il comando di orde impazzite, erano: è incomprensibile e ingiustificabile che succeda una cosa così. Lo stesso commento che avrebbe fatto la mia vicina di casa. Non ti racconterò che il capo della polizia ha dato ordine ai suoi uomini di non intervenire perché “il problema dei trasporti municipali non è un problema di pubblica sicurezza ma lo deve risolvere il comune”, come se fosse possibile abbandonare di traverso un autobus articolato in mezzo a un incrocio e obbligare i passeggeri a scendere, e quando dico “passeggeri” penso alla vecchietta, alla signora con il bambino, ai lavoratori che tornano a casa, penso a me che avevo voglia di prendere l’autista per il collo, ma che poi non l’ho fatto, non perché fosse armato con una spranga di ferro, ma perché insieme a lui c’erano altri dieci autisti che avevano fermato il loro mezzo. Quindicimila autobus abbiamo in città. Lo sciopero selvaggio è stato indetto da una dissidenza del sindacato che non riunisce più del 10% dei lavoratori. Però nessuno ha reagito, nessuno si è opposto. Sciopero selvaggio… Quando la legge dice chiaramente che i servizi essenziali devono avvisare la parlaizzazione con 72 ore di anticipo e continuare a garantire per lo meno il 60% del servizio. Non ti racconterò, caro Rocco, che dietro tutto questo c’è il PCC, Primeiro Comando da Capital, la più potente organizzazione criminale brasiliana, che controlla la vita pratica dei cittadini. Gli orari di entrata e di uscita di interi quartieri, il coprifuoco, le attività commerciali, i punti delle scommesse illegali (più numerosi e visibili di quelli ufficiali) la droga (venduta a chili dappertutto), i trasporti clandestini. Clandestini nel senso di irregolari, perché sono invece ben visibili e alla luce del sole. Non dirò neppure che appena gli autubus si sono fermati in tutte le avenidas, sono comparsi i furgoni, le Kombi, a caricare i passeggeri disperati. E nenache racconterò che l’altoparlante della stazione del metrò annunciava la chiusura dei vari terminali, ma confermava la presenza e il funzionamento “normale” (si diceva proprio così, “normale”) delle Van, i furgoni abusivi. Tanto non te lo dico, Rocco, che lo sciopero è durato due giorni in città e che dura fino ad oggi nelle città dell’interlad bloccando la vita di una delle aree metropolitane più grandi del mondo. Tanto non te lo dico, Rocco, che magari puoi pure rispondermi: il diritto di sciopero è sacro. E se poi ti racconto che la polizia civile è entrata anch’essa in sciopero? E che dopo Salvador, anche a Recife lo sciopero lo fa la polícia militar, quella responsabile della pubblica sicurezza, e che i saccheggi, gli stupri, gli omicidi, gli arrastões terrorizzano la città, cosa penserai, caro Rocco? Naturalmente, che sto inventando tutto. Dirai: ma se il Corriere non ne parla, allora vuol dire che non è vero. Arrastões, è il plurale di arrastão, significa strascico, retata. Per esempio si chiude una strada e si depreda tutto quello che c’è, si ruba e si uccide. Arrastão. È molto comune, a São Paulo e a Rio fare un arrastão in un tunnel. Si blocca l’uscita con la macchina e comincia la razzia. Ebbene, martedì e mercoledì, giovedì e venerdì, l’arrastão lo facevano gli autisti degli autobus. E se scrivessi a Rocco che ieri in città abbiamo avuto il più grande congiestionamento mai registrato? Hai capito Rocco? 344 km di fila! Gli autobus per traverso, le stazioni del metro in collasso e le strade bloccate e mentre sei prigioniero nella tua macchina vieni pure rapinato in un arrastão.
No, non te lo scrivo a Rocco, non mi crederesti, anzi, diresti che sono un pazzo, che esagero come sempre. E poi mancano tre settimane ai Mondiali, chissenefrega, tanto vince il Brasile.
E da voi? Come va il vostro Renzi-cipollino?
Um grande abraço.
di Edith Moniz e Paolo D’Aprile
http://www.youtube.com/watch?v=B9cRaSIv0vw
http://g1.globo.com/sao-paulo/transito/cobertura/
Saccheggi a Recife durante lo sciopero della Polícia Militar
http://www.youtube.com/watch?v=xtFN3YdrywY
http://www.youtube.com/watch?v=TsixRLfH0nk
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ANA CLARA
di Eidth Moniz
Traduzione di Paolo D’Aprile
(Nella foto il carcere di Pedrinhas)
Lo abbiamo saputo dagli organismi internazionali di difesa dei Diritti Umani: le carceri del Maranhão sono da anni sotto il dominio della criminalità organizzata. In pochi mesi sessanta detenuti sono stati assassinati dentro le mura del carcere; un grande numero di stupri contro le mogli di detenuti durante l’orario di visita; droga, armi e telefonini circolano liberamente sotto lo sguardo di autorità corrotte e inefficienti. Il governo federale decide di intervenire. La reazione della criminalità è immediata. La divulgazione delle immagini (non il fatto in sé, ma la sua divulgazione!) ha aperto un dibattito nazionale. Ma l’imminente inizio dell’ennesima edizione del Grande Fratello, sta definitivamente mettendo a tacere la realtà.
Preferisco non tradurre gli articoli di giornale che raccontano i fatti con minuzia di informazioni e particolari, preferisco tradurre le considerazioni di Edith.
Nel link in allegato, l’indicibile.
L’immagine della bambina vietnamita in lacrime è impressa nella coscienza collettiva dell’umanità.
È passato molto tempo. La pelle a brandelli, la bocca in una smorfia di dolore e là in fondo il villaggio disintegrato in una palla di napalm.
Quarant’anni dopo, le immagini del mio paese girano il mondo, ma il mondo ha cose più importanti da fare e da pensare, che assistere alla danza grottesca della bambina in fiamme che sembra non accorgersi di bruciare viva. Cammina come un bambola impazzita senza sapere che la sua morte non è un incidente, che il suo soffrire è il simbolo del Brasile reale ignorato e nascosto dalle autorità sotto il manto della falsa allegria di un paese felice. Qui tutto viene misurato da numeri enormi. Il mio pese è il luogo delle enormità. Nelle prigioni centinaia di dannati occupano lo spazio dove potrebbero starci solamente alcune decine. Migliaia, un luogo dove ci starebbe un centinaio. I più forti tagliano a pezzi i più deboli, le teste rotolano in un mare di sangue. I detenuti filmano l’esecuzione. All’ora di cena il telegiornale tra le tante notizie, trasmette anche questa. Contemporaneamente nel palazzo del governo si discute la quantità e la qualità delle provvigioni per l’anno che inizia: aragoste, caviale, champagne. Neanche la presenza dei soldati della forza nazionale riesce a fermare la furia assassina. I detenuti ordinano l’assalto alla città. Gli autobus vengono bloccati e incendiati. La bambina-bambola brucia viva davanti a tutti noi. Le viscere esposte sono il grido della miseria della mia gente. L’Angelo della Morte è passato come fuoco e la bambina non sa che la sua morte è parte di un gioco molto più grande di lei, le cui regole sono state scritte altrove. Nella cella le teste rotolano in un mare di sangue. I corpo martoriati dal coltello espongono le ferite della complicità della società assetata di vendetta. In fin dei conti sono tutti delinquenti, che si ammazzino pure tra loro, che continuino ad ammazzarsi. Il Male dalle mille facce ride nelle oscenità dei governanti, primi e ultimi responsabili.
L’insopportabile silenzio di Dio assiste al massacro del suo popolo.
Dicono che Lui consola gli afflitti.
Dicono anche che stia là dove più si soffre.
Ana Clara Souza, sei anni, bambola brasiliana nelle Sue braccia.
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VENE APERTE
di Edith Moniz – traduzione di Paolo D’Aprile
VENE APERTE
Tre navi del ducato di Bretagna, due delle quali di cento e quaranta tonnellate, e l’altra di ottanta tonnellate più o meno, furono inviate alle terre del Brasile per riscuotere legni del Brasile e altre mercanzie di grande utilità ai nostri regni, terre, signorie e sudditi, e queste navi che hanno ancorato in un certo porto e rifugio di quella terra, posero e sventolarono le bandiere e i suggelli di Francia e del ducato di Bretagna, che fosse caricata grande quantità di legni del Brasile, grande numero di animali strani e uccelli…
(Cristovão Jacques, navigatore. Carta ai Re, Secondo Viaggio al Brasile, 1527)
E che le navi all’orizzonte partano e tornino infinite volte, che continuino a rubare tutto. Della nostra terra non rimane più nulla, solamente il vento a soffiare tra l’abbandono e la miseria delle baracche. Potete andare, portatevi via per sempre il vostro oro. Non ne abbiamo bisogno, non ne vogliamo. Secoli di vene aperte ci hanno immunizzato: non più “legni, animali strani, uccelli”, adesso rimaniamo noi. Solamente noi.
Giorni rilucenti di plastica, giorni di ronzii e voci sovrapposte. Giorni di solitudine, sofferenza e morte. Solitudine infiltrata tra i milioni di passanti delle metropoli, nei colori infami della felicità imposta. La speranza di un popolo affogata nei dollari della corruzione, tradita nelle promesse di governanti sottomessi a interessi decisi altrove, la speranza di un popolo continua a sopravvivere nella semplicità di un gioco silenzioso, nel sorriso di una vecchia donna, nelle rughe di una vita costruita nel tempo senza tempo degli enormi spazi ancora da riempire del cuore degli uomini. Per questo l’immagine muta del silenzio della mia gente è più eloquente di qualunque parola sempre assassinata sul nascere. La voce del mio popolo è il suo silenzio, la voce del mio popolo è letta nelle viscere della polvere che attraversa le sue case, nei giochi primordiali di bambini che fin dalla nascita sanno già tutto. La voce scalza della mia gente attraversa la miseria che le hanno costruito addosso e veste il suo miglior vestito per, finalmente, riconoscersi e rincontrarsi con se stessa. La voce degli sguardi, la voce che niente ha da aggiungere a ciò che è già stato detto dalla sua semplice presenza. La mia gente parla la lingua del mondo, senza chiedere niente a nessuno, adesso dice: io esisto, io sono.
L’amico Giulio, capace di guardare tra le cose, per mezzo dell’immagine registra, dice e interpreta il linguaggio segreto della luce. Per questo è dei nostri.
Muito Obrigada
Edith Moniz
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VEIAS ABERTAS
di Edith Moniz
Três navios do ducado de Bretanha, os dois dos quais era cada um de cento e quarenta tonéis, e o outro de oitenta tonéis pouco mais ou menos e os enviaram as terras do Brasil para cobrar paus do Brasil e outras mercadorias proveitosas aos nossos reinos, terras, senhorias e súditos, os seus ditos navios que ancoraram em certo porto e abra da dita terra, puseram e despregaram nos ditos navios as bandeiras e armas de França e do dito ducado de Bretanha, que fosse carregada grande quantidade dos ditos paus do Brasil, grande número de alimarias estranhas e pássaros…
(Cristovão Jacques, navegador. Carta aos Reis, Segunda Viagem ao Brasil, 1527)
E que os navios do horizonte partam e voltem infinitas vezes, que continuem roubando tudo. Da nossa terra não sobra mais nada, somente o vento que assopra entre o abandono e a miséria dos barracos. Podem ir, levem embora, levem embora para sempre o seu ouro. Dele não precisamos, não o queremos. Séculos de veias abertas nos imunizaram: sem mais “paus, alimarias estranhas, pássaros” sobramos nós. Somente nós.
Dias reluzentes de plástico, dias de barulhos e de vozes sobrepostas. Dias de solidão, sofrimento e morte. Solidão disfarçada nos milhões de transeuntes das metrópoles, nas cores infames da felicidade imposta. A esperança de um povo afogada nos dólares da corrupção, traída nas promessas de governantes submissos a interesses decididos em outras bandas, procura sobreviver na simplicidade de uma brincadeira silenciosa, no sorriso da velha mulher, nas rugas de uma vida construída no tempo sem tempo dos enormes espaços, ainda não preenchidos, do coração dos homens. Por isso a imagem muda do silêncio da minha gente é mais eloqüente que qualquer palavra assassinada ao nascer. A voz do meu povo é o seu silêncio, a voz do meu povo é lida nas entranhas da poeira que varre as suas casas, as brincadeiras primordiais de crianças que ao nascer já sabem tudo. A voz da minha gente atravessa descalça a miséria que edificaram para ela, e veste a sua melhor roupa para finalmente se reconhecer e reencontrar-se consigo mesma. A voz dos olhares, a voz que nada tem para acrescentar àquilo que já foi dito pela simples presença. A minha gente fala a língua do mundo, sem pedir nada a ninguém, agora diz: eu sou.
O amigo Giulio, capaz de olhar entre as coisas, sabe, pela imagem, registrar dizer e interpretar a linguagem secreta da luz. Por isso é dos nossos.
Muito Obrigada.
Edith Moniz
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MOSTRA “PIG IRON”
Sabato 16 Novembre, alle ore 21.00, presso il Circolo Arci Noà, in Corso Margherita 154 a Torino, ci sarà l’inaugurazione della mostra fotografica e la presentazione del libro “Pig Iron”. Una pubblicazione sulle gravi ingiustizie sociali e ambientali commesse dalla multinazionale Vale negli stati brasiliani del Pará e del Maranhão, tra i più poveri del paese. Un libro che racconta la quotidianità delle persone che vivono lungo la ferrovia del Carajas e dei loro disagi nell’abitare una regione dove corrono 100 milioni di tonnellate di ferro ogni giorno. Non solo rifiuti e detriti, ma anche aria avvelenata, terreni intossicati ed esausti, pozzi d’acqua prosciugati, caos sociale. Attraverso le fotografie di Di Meo e i testi di Dario Bossi, missionario comboniano impegnato da anni per supportare le comunità locali, il libro documenta queste ingiustizie attraverso la resistenza e la speranza delle comunità. Il progetto editoriale oltre a raccontare la storia di queste persone, vuole essere strumento per contribuire a combattere queste ingiustizie e mezzo di informazione, sensibilizzazione e strumento di coinvolgimento per azioni concrete e solidali. Un libro indipendente e autoprodotto, per cercare di proporlo ad un prezzo accessibile a tutti e per destinare parte del ricavato ad un progetto teatrale portato avanti dai giovani della compagnia “Juventudes pela Paz” di Açailândia nel nordest del Brasile.
Sabato 16 Novembre 2013 – Ore 21.00
Circolo Arci Noà – Corso Regina Margherita 154, Torino
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BRASILE: LO SPIONAGGIO DELLA VALE CONTRO I MOVIMENTI SOCIALI
di David Lifodi
Un vero e proprio spionaggio messo in atto dalla Vale, la multinazionale leader nell’estrazione mineraria, ai danni dei movimenti sociali brasiliani, è stato denunciato da uno dei funzionari dell’impresa, André Luis Costa de Almeida, impiegato per sei anni presso il Departamento de Segurança fino al suo licenziamento, avvenuto nel marzo 2012.
A finire nel mirino dei contractors e degli informatori dell’impresa, tra gli altri, padre Dario Bossi e la sua Justiça dos Trilhos, la rete sociale sorta su impulso dei missionari comboniani per protestare contro il trasporto del ferro, da parte della Vale, lungo la ferrovia del Carajás, in piena foresta amazzonica. La multinazionale è responsabile dell’inquinamento, della devastazione delle foreste, di aver utilizzato lavoro schiavo, di espellere intere comunità dal loro territorio per costruire nuove miniere e, infine, per travolgere persone e animali che vivono ai bordi del percorso ferroviario, situato negli stati del Pará e del Maranhão, tra i più poveri dell’intero Brasile. È proprio agli afectados della Vale che Giulio Di Meo ha dedicato il suo libro fotografico Pig Iron, dove sono ritratte le persone durante la loro vita quotidiana, caratterizzata dall’incombente presenza della multinazionale. Non è un caso che nel 2012 l’impresa mineraria sia stata dichiarata la “peggiore multinazionale del pianeta”: sembra che la Vale avesse l’abitudine di infiltrare degli informatori tra i movimenti sociali (soprattutto tra i Sem Terra e il Movimento do Atingidos por Barragens), corrompere funzionari statali affinché raccogliessero informazioni sui leader delle organizzazioni popolari, mettere sotto controllo gli apparecchi telefonici dei giornalisti a loro sgraditi, ad esempio Vera Durão, quando lavorava presso la redazione di Valor Econômico e Lúcio Flávio Pinto. Addirittura pare che la stessa presidenta Dilma Rousseff sia stata spiata durante gli anni in cui ha ricoperto l’incarico di ministro dell’Energia e delle Miniere. La rete di spionaggio attivata da Vale poteva contare su almeno duecento informatori che nel tempo avevano redatto dei veri e propri dossier sugli esponenti più in vista dei movimenti sociali, è il caso dell’avvocato Danilo Chammas e di Charles Trocate, uno degli attivisti più in vista dei contadini Sem Terra. La Vale non svolgeva l’attività di spionaggio e controllo in prima persona, ma aveva affidato il tutto ad un’agenzia sua affiliata specializzata in intelligence, la Network, con sede a Rio de Janeiro. Alla testa di questo tentacolare sistema di controllo Gilberto Ramalho, direttore del Departamento de Segurança e non nuovo ad operazioni di questo tipo, già sperimentate ai tempi della dittatura militare. Inoltre, secondo André Almeida, Ramalho ebbe un ruolo determinante nell’operazione di polizia che condusse allo sgombero dei blocchi stradali imposti dai Sem Terra nell’aprile del 1996 e uccise diciannove contadini in quello che è passato alla storia come il massacro di Eldorado dos Carajás. Durante il processo per la strage dei sem terra è emersa proprio la regia della Vale, che aveva necessità di avere le strade libere per il trasporto del ferro. Del resto, Mst e la rete Justiça dos Trilhos rappresentano un vero e proprio incubo per la multinazionale. La rete dei comboniani fa parte del coordinamento Atingidos pela Vale e, dalla città di Açailândia, nel Maranhão, ha intrapreso una durissima battaglia contro l’impresa mineraria per impedirle di ampliare la ferrovia del Carajás, che taglia a metà i territori indigeni e le riserve ambientali portando morte e distruzione ad ogni suo passaggio, dalle 9 alle 12 volte al giorno. André Almeida racconta che Vale si è avvalsa anche dei servigi dell’ex colonnello Roger Antonio Souza Matta, un altro professionista dello spionaggio, attualmente docente di intelligence alla Fundação Escola Superior do Ministério Público dello stato di Minas Gerais, e del capitano della Marina Mauro Paranhos. Quest’ultimo, in una mail inviata il 16 agosto 2010 al direttore della Segurança Empresarial della Vale, Ricardo Gruba, allertava la multinazionale a monitorare le attività “di agitazione e propaganda per la Riforma Agraria e contro l’agronegozio”, che il Mst avrebbe effettivamente realizzato in occasione del Grido degli Esclusi in programma dal 17 al 19 agosto di tre anni fa. In un’altra mail, con tanto di fattura, emerge che la Vale avrebbe contattato due informatori per tenere sotto controllo le attività del Movimento do Atingidos por Barragens a Belo Horizonte (stato del Minas Gerais): risulta che la Vale abbia pagato ai due contractors uno stipendio in cui erano inclusi vitto, alloggio, l’assistenza sanitaria e tutti i diritti che spettano ad un qualsiasi lavoratore. Uno stipendio in cambio di vere e proprie relazioni sui movimenti sociali, comprensive anche dei curricula dei leaders messi sotto controllo: il tutto finiva in un archivio denominato Movimentos Políticos, Sociais e Indígenas. Vale non si occupava soltanto delle organizzazioni popolari a lei ostili, ma anche di quelle che protestavano contro le sue partecipate, ad esempio i pescatori della baia Sepetiba (Rio de Janeiro), dove ha sede ed opera la Companhia Siderúrgica do Atlântico (Tkcsa), responsabile di aver seminato rifiuti tossici che hanno causato enormi danni alla salute della popolazione. E ancora: le proteste contro le attività antisindacali della Vale erano tenute sotto lo stretto controllo dell’impresa mineraria: in occasione delle proteste del biennio 2011-2012 contro l’allora presidente Roger Agnelli, denunciato all’Oit dalla Sindiquímica del Paraná, l’infiltrazione avveniva tramite l’invio di informatori che riuscivano ad accreditarsi come fotografi vicini ai movimenti di lotta per riprendere da vicino i leader sindacali.
Purtroppo l’infiltrazione e il monitoraggio dei movimenti sociali in Brasile non sono ritenuti illegali, ma, soprattutto grazie ai deputati del Partido Socialismo e Libertade (Psol), è stata lanciata la proposta di costituire una Commissione parlamentare. Per il momento, da parte della Vale, non è giunta alcuna smentita in merito alle pesanti accuse di cui è stata oggetto.

